sábado, 22 de janeiro de 2011

Delirios de um frango




E inicia-se, então, a semana do frango. Tudo sobre frangos e minhas loucuras.

Ser frango, ou não ser? Porque devaneio tão tosco?
Se na frescura de ser humano, humano sou por puro engano
Ter asas e penas, vale a pena ser frango só por voar?
E quem disse que frango voa? Tem penas é a toa
Ser frango ou ser humano ou ser outro ser que me engano?
Ser frango me dá vantagens, como milhões de milhagens
Enquanto ser humano, me dá desejos
Como frango a milanesa, frango assado e temperado
Ser frango me dá ovos, ser humano me vende ovos
Ser frango me dá galinhas, ser humano....?

Há quem diga que tudo nesta vida tem um propósito. Proponho então que tal propósito seja desvendando. Pois ser frango não deve ser tão difícil, oras, se eu nascesse frango, frango sempre seria, e sendo frango desde o inicio do inicio, nunca reclamaria ( de ser frango). E se fosse eu um belo frango, não me preocuparia com as preocupações humanas. E não choraria por amor ou riria das desgraças apenas para a vida continuar. Eu seria um frango, e frangamente eu aguardaria o momento de minha partida para a Valhalla dos frangos. Eu não precisaria trabalhar e não seria corrompido pelo desejo insaciável de dinheiro que hoje tenho. Imagine viver apenas por ser frango sem nunca ter sido humano, e apenas sendo frango, comido por humanos.

A humanidade não mais me afetaria, apenas a franguissidade.Creio eu que todos os frangos compartilhem do mesmo idioma, mas depois passo a crer em outra coisa, que frangos diferentes se comunicam com sons diferentes. E se quando frango eu precisasse me embelezar, me engordar para que aos olhos dos olhos, eu fosse o melhor e por isso ganhasse mais comida? E se meus filhos, frangos malditos, traíras de família, ocupassem meu lugar de melhor frango? E se meus desejos superassem minha natureza ( dita por humanos) e eu não quisesse acordar na hora do almoço dentro de um forno? Eu não aguentaria tal destino, pois ser frango para um humano é catastrófico, prefiro eu ser humano com um frango. Pois a frangosidade não me atraí, e envergonhado de dizer isto, prefiro continuar em minha humanidade, sendo humano egoísta e não um frango franguista.

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